Em nome da honra do país de Etienne

Por Frederico Vasconcelos

Inês Etienne Romeu

O Brasil deve a Inês Etienne Romeu, que morreu no final de abril, um dos relatos mais importantes sobre os crimes da ditadura militar, escreveu na Folha o jornalista Bernardo Mello Franco, em 28/4.

Graças a ela, sabe-se que o Exército manteve em Petrópolis, no Rio, um centro clandestino para torturar e matar adversários do regime, a chamada “Casa da Morte”.

“Abalada pelas sessões de tortura, Inês tentou se matar quatro vezes. Sobreviveu.” –narra Franco.

Em artigo publicado no último domingo (3) no jornal “O Estado de S. Paulo“, Diego Moura revela que –desde que saiu da cadeia– Inês dizia ser perseguida.

Em setembro de 2003, foi encontrada agonizante no chão em seu apartamento, as paredes ensanguentadas: “Mesmo com o laudo médico indicando um trauma craniano por ‘múltiplos golpes’, o 77º Distrito Policial de São Paulo registrou o caso como ‘acidente doméstico'” –narra Moura.

“Se eu morrer, quero que todas as circunstâncias da minha morte sejam esclarecidas, ainda que demande tempo, trabalho e sacrifício, menos em minha memória, mais em nome da honra do País em que nasci, muito pela decência de minha Pátria e de meus compatriotas”, afirmara em depoimento à OAB, em 1981.

As circunstâncias dessa violência que sofreu –em liberdade– não foram esclarecidas. O episódio –“bastante nebuloso”, segundo o texto de Moura– comprometeu os movimentos e o raciocínio de outros tempos.

“Na última década, Inês conviveu com graves limitações físicas. Falava e se locomovia com dificuldade. Mesmo assim, ajudou a Comissão da Verdade a identificar mais seis torturadores no ano passado”, registra Bernardo Mello Franco.

Etienne moreu aos 72 anos, na noite de 27 de abril último. Enfartou enquanto dormia.