Petrolão e trapalhadas da Kroll

Por Frederico Vasconcelos

 

“Onde os negócios fraudulentos florescem, também prospera a Kroll Associates”, segundo definição da revista do “The New York Times”.

Essa referência foi citada em 1995, quando a empresa de investigação privada, formada por ex-agentes da CIA, iniciou suas atividades no Brasil. Antes, havia sido contratada por parlamentares do PT para rastrear as contas de PC Farias no exterior.

A Kroll tem uma longa folha corrida de trapalhadas no Brasil.

Vinte anos depois, reportagem de Aguirre Talento, neste sábado (23) na Folha, revela que “a Câmara de Deputados ignorou um conflito de interesses” ao contratar a Kroll por R$ 1 milhão para trabalhar para a CPI sobre a corrupção da Petrobras.

A contratação foi articulada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No ano passado, revela a reportagem, a Kroll havia sido contratada pela Sete Brasil, alvo de suspeitas no caso Petrolão.

Como é usual no mundo dos contratos e negócios sigilosos, a Kroll não comenta detalhes sobre suas investigações.

Em 1995, em entrevista ao editor deste Blog, o norte-americano James Wygand, primeiro presidente da Kroll no Brasil, afirmou acreditar que os controles do Banco Central sobre os bancos brasileiros eram rigorosos.

O mensalão veio comprovar que o Banco Rural continuou praticando as mesmas malfeitorias identificadas nos tempos de Collor, como a abertura de contas fantasmas.

Wygand deixou a Kroll, em 2004, afirmando discordar de práticas que extrapolariam eventuais critérios éticos no ramo da espionagem privada.

Quando a Kroll foi contratada, segundo se atribui, por advogados ligados ao PT para investigar a autenticidade do tal “Dossiê Caribe” –montado contra FHC e outros tucanos– o então presidente da empresa, Eduardo Sampaio, concedeu entrevista a este editor.

Interpelado pela Polícia Federal, porque o assunto envolvia o então presidente da República, Sampaio negou a entrevista, tendo refeito seu depoimento depois de acareação na PF com este jornalista.

Em 2000, depois de dar entrevistas dizendo que recomendava aos clientes adotarem a transparência como regra, Sampaio evitou comentar reportagem do “Financial Times” dando conta de que a firma de investigação havia sido vítima de fraude, no Brasil, na sociedade com a O’Gara, firma especializada em blindagem de veículos.