Lava Jato vira plataforma eleitoral na disputa pelo cargo de Rodrigo Janot

Por Frederico Vasconcelos

Janot, Raquel, Frederico e Bonsaglia

Principal trunfo eleitoral de Rodrigo Janot e, ao mesmo tempo, pedra no sapato para sua recondução ao comando do Ministério Público Federal, a Operação Lava Jato também é importante peça de campanha dos três candidatos que disputam o cargo do atual Procurador-Geral da República.

Os subprocuradores-gerais da República Carlos Frederico Santos, Mario Bonsaglia e Raquel Dodge assumiram o compromisso de manter e reforçar as investigações da Lava Jato.

Nas discussões na rede interna do Ministério Público Federal, os candidatos foram cobrados por colegas sobre a necessidade de expor, cada um, uma posição clara em relação ao combate à corrupção e ao apoio que darão à equipe da Lava Jato.

Até agora, as discussões públicas entre os candidatos têm tratado mais de interesses corporativos. Prevê-se que o último debate, na próxima segunda-feira (3), tratará, de forma mais ampla, da ação do MPF para apurar os desvios de recursos públicos na Petrobras e, mais recentemente, no setor elétrico.

Na abertura da campanha, o Paraná foi o primeiro Estado visitado pelos candidatos Mario Bonsaglia e Raquel Dodge. Eles foram conversar com os procuradores da força-tarefa para assegurar que a operação prosseguirá com total apoio.

O meu primeiro ato foi exatamente uma visita à Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, para afirmar de viva voz meu compromisso de manter integral apoio aos trabalhos e até de ampliá-lo, se necessário“, escreveu Raquel Dodge.

Bonsaglia fez o mesmo roteiro: “Minha primeira viagem durante esta campanha foi para Curitiba. Além de proveitosa reunião com os colegas da Procuradoria da República no Paraná, reuni-me com os colegas da Força Tarefa Lava Jato, oportunidade em que expressei-lhes meu apreço pelo trabalho que vem sendo brilhantemente feito“, afirmou.

Experientes na área criminal, ambos acenam com a possibilidade de reforçar as equipes. E mencionam grandes operações das quais participaram ou comandaram.

“Se eu for escolhido PGR, as investigações da Lava Jato envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função perante o STF e o STJ terão também plena continuidade, sob meu comando, com o auxílio do grupo de apoio hoje constituído na própria PGR, que será desde logo integrado por mais alguns colegas com sólida atuação na área criminal, que designarei. Qualquer alteração que venha a ser feita nesse grupo que assessora o PGR no caso será gradual, de modo que não haja qualquer solução de continuidade“, prometeu Bonsaglia.

“Sempre atuei em matéria criminal, inclusive em alguns casos complexos (casos Israel e Pau Brasil, dentre outros), em meio a muitas pressões, de modo que, caso venha a ser escolhido para o cargo, estarei plenamente capacitado em assimilar rapidamente tudo o que diga respeito ao caso, que receberá toda a atenção necessária”, afirmou o subprocurador-geral.

Raquel Dodge afirmou que “os trabalhos da Força Tarefa Lava Jato de Brasília, diretamente vinculados ao PGR, serão igualmente apoiados e reforçados. Atuei com alguns de seus membros na Operação Caixa de Pandora“, lembrou.

Após profunda investigação, requeri com êxito a primeira prisão preventiva de um Governador no exercício do cargo, o do Distrito Federal; desvendamos a quadrilha, vários crimes e ajuizamos as denúncias. Coordenei força tarefa, em estreita coordenação com o gabinete do PGR, o MPDFT, a equipe da Polícia Federal, das Controladorias Gerais da União e do DF. Utilizamos delação premiada, ação controlada e buscas e apreensões.

Deu certo“, avaliou a subprocuradora-geral.

O subprocurador-geral Carlos Frederico Santos também reafirmou sua posição de apoio: “Comigo não haverá solução de continuidade da Lava-Jato, ou de qualquer outra investigação em curso. Não só os colegas do Paraná terão pleno apoio para desenvolver livremente as suas atribuições, mas também respeitarei a independência funcional e as atribuições de cada instância“.

Não vejo como se imaginar ou se tentar afirmar que a Lava-Jato sofrerá solução de continuidade na sucessão do atual PGR. Já tive oportunidade de dizer mais de uma vez que o Ministério Público é maior do que o Procurador Geral da República, não somos insubstituíveis, a instituição permanecerá, e haverá sempre quando um sair outro para dar continuidade. Assim foi com o mensalão, que já viu a passagem de três Procuradores Gerais da República“, comentou na rede interna.

Santos tem uma visão mais crítica sobre a Lava Jato: “Entendo necessário que efetivamente sejam agilizadas as investigações, o que leva à minimização dos desgastes das relações institucionais entre os Poderes da República, e tomadas as medidas cabíveis contra quem quer que seja, mas sem a utilização de artifícios midiáticos, porém com transparência, e com atitudes de resultados concretos que levem a denúncias que tenham consistência para a condenação. Buscarei efetivos resultados“.

No primeiro debate, no dia 29 de junho, Janot afirmou que merece permanecer no cargo por não vender ilusões nem fórmulas mágicas. “Quando nos deparamos com este enorme, descomunal caso de corrupção, a instituição não era a mesma de há dois anos. As mudanças estruturais realizadas nos permitiram enfrentar a questão com profissionalismo e maturidade”, afirmou o atual PGR.

Não foi e não está sendo fácil. Preciso aprimorar o que foi feito e corrigir equívocos da caminhada. (…) Estou pronto para seguir no desafio com o mesmo brilho nos olhos. Sem fórmulas mágicas e sem vender ilusões, peço seu apoio e seu voto”, afirmou Janot naquele debate.