“O tempo é o senhor da razão”

Por Frederico Vasconcelos

Sob o título “Renovação já!“, o artigo a seguir é de autoria de Edison Vicentini Barroso, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, que assina o texto como “magistrado e cidadão brasileiro”.

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A corrupção sempre existiu. Porém, no Brasil, nunca tanto como na era dos governos petistas. Tudo tem limite, seja onde for. Aqui, apesar da apatia do povo, dócil por natureza, há de se dar um basta no esquema montado para corromper a vida do País.

Quanto mais se fuça, mais se revela da falta de limites na ação do desgoverno brasileiro. Pessoas de bem, incumbidas de fazer prevalecer do que ético e moral, são sistematicamente atacadas, como se a regra não fosse o bem.

A Nação está entregue à ação de verdadeira quadrilha, a lhe saquear bens materiais, mas, acima de tudo, a esperança de dias melhores. Revolve-se daqui, investiga-se dali. E, via de regra, lá estão o PT e seus ‘intocáveis’ presidentes da República – do passado e do presente.

Ninguém crê, e nisto não se pode mesmo acreditar, pelos acachapantes sinais de fumaça, que Lula e Dilma (nesta ordem) de nada sabiam.

Ao contrário, as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece demonstram não ser possível que, nas situações já delineadas, pela posição destacada de ambos, a tudo se fizesse sem sua qualquer ciência.

De erros históricos se têm notícia. Todavia, não do tamanho do erro brasileiro na escolha de representantes indignos de respaldar a confiança do povo. A política faliu. Com ela, de roldão, a esmagadora maioria dos homens públicos. Um país como o nosso, destinado a grandes realizações, entregue à sanha de lobos vorazes, disfarçados de inocentes ovelhas.

Gigante a manipulação populista, conquanto já incapaz de iludir a maioria da população – segundo institutos de pesquisa confiáveis.

O Brasil quer e precisa voltar a respirar ares melhores. O País não mais suporta a pressão da indecência e da falta de vergonha, daqueles que querem se manter no poder a qualquer custo, à distância do bem-estar do povo e das instituições que por ele devem zelar.

Uma coisa é a legitimidade do voto, de que se não discute. Outra, o predomínio da lei, feita para pairar acima das pessoas – quais forem. Detectado o malfeito, venha do mais humilde homem do povo ou do presidente da República, as instituições hão de funcionar, bem e eficientemente agir, se o caso, punindo também a este.

País sério cumpre suas leis, sem distinções pessoais de qualquer espécie. E, de fato, como ensinado por Jesus de Nazaré, a cada um há de se dar segundo suas obras. O plantio rege a colheita. A conduta traça a ação da lei, sem influências políticas de cunho subjetivo. Assim, a presidente do Brasil vale tanto quanto o mais anônimo trabalhador, e, pela atitude, pode valer inda menos.

Nesse contexto, o voto não serve de desculpa a atos errados, de escudo protetor àquele que os tenha praticado. Legítima, pois, só a atitude correta, ética e moralmente adequada.

Lembremo-nos: nos Estados Unidos da América, referência mundial no campo dos direitos civis, um presidente já perdeu o mandato. Mesmo aqui, por muito menos do que se tem visto!

O respeito à democracia passa, antes de tudo, pelo cumprimento às leis do País, muito acima de votos circunstancialmente conferidos a quem, eventualmente, não se mostre à altura do cargo ocupado.

Recentemente, a presidente da República afirmou que, hoje, somos um país mais forte, mais robusto. Cabe nos dizer em que setor. Olhando para os quatro pontos cardeais, vemos exatamente o oposto – um Brasil enfraquecido, sem vigor.

Uma Nação arruinada pela corrupção desenfreada, por gritante inversão de valores. Um país sufocado pelo maior estelionato eleitoral já conhecido.

O cargo não referenda a pessoa, é esta que o há de referendar –dignificando-o. Disse Jesus: ‘pelo fruto se conhece da árvore’. Digo eu: pela atitude, a pessoa se dá a conhecer. Os limites aí estão, no seu devido lugar. Basta-nos, pois, buscar o conhecimento da verdade, dos fatos objeto de investigação, em benefício do Brasil.

A legitimidade do cargo vai muito além do resultado duma eleição. Ela se dá na base das ações do eleito, à vista das leis que regram a vida da sociedade. O representante, de que ordem for, não se mostrando digno do cargo, há de deixá-lo, a bem duma população que o não mais aceite.

Acabou a era PT, embora disso este não se queira dar conta. Findou o tempo da aceitação popular incondicional, baseada na ignorância e na ilusão. Os tempos são outros, de renovação, de mudança. E disto nos mostrará o tempo, senhor da razão, quando do advento da iniludível reação do povo à ação daqueles que tanto o têm prejudicado.

Portanto, no tempo devido, as coisas se ajustarão – à vista da lei e da atual vontade popular, apesar de vozes dissonantes comprometidas com o que aí está. Decididamente, contra fatos não há argumentos. Que o Brasil sobreviva!