Juízes treinam advogados de banco

Por Frederico Vasconcelos

Trecho de editorial do jornal “O Estado de S. Paulo“, sob o título “A imagem do Judiciário“, que trata de reportagem publicada na Folha, no último domingo (6), revelando que ministros do Tribunal Superior do Trabalho receberam pagamentos do Bradesco para proferir palestras na instituição financeira:

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O problema (…) não é de caráter formal. Acima de tudo, é de caráter ético. No plano moral, é inadmissível que ministros dos tribunais superiores treinem ou capacitem advogados de grandes litigantes. Isso macula a imagem de isenção do Judiciário.

É como dia o provérbio latino: a mulher de César não tem de ser só honesta –ela também tem de parecer honesta.

Palestras de magistrados pagas por entidades e empresas que possuem alto índice de litigância –e, portanto, alto grau de interesse econômico discutido nos tribunais– colocam em risco os valores maiores do direito.

Quando julgadores se transformam em palestrantes pagos por uma das partes das ações que têm de julgar, passam a impressão de que o poder econômico cooptou a Justiça, em detrimento dos milhares de trabalhadores e cidadãos que recorrem aos tribunais para lutar por seus direitos, mas não têm as mesmas condições econômicas das partes adversas.

Cabe ao CNJ coibir essa prática, para preservar a imagem do Judiciário.