Muito além do machismo no Judiciário

Por Frederico Vasconcelos

Do juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, do Recife, sobre o depoimento da juíza Andréa Pachá publicado neste Blog sob o título “O Judiciário é machista“:

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Machista só, não! O Poder Judiciário não é. Há muito mais de discriminação bem guarnecida e dissimulada nos Palácios da Justiça do que possa a Nação sequer desconfiar, haja vista o seu hermetismo que impede o pleno exercício da crítica social.

Falar só de machismo no Poder Judiciário, outrossim, parece também uma abordagem claramente seletiva e discriminatória.

O trabalho jornalístico reúne muito mais potencial para aprofundar esse tipo de debate tão urgente quanto inadiável para o futuro da democracia brasileira do que priorizar aspectos midiáticos de um fenômeno que tem uma raiz muito mais profunda e que se expande em eficácia para muitos territórios nem sempre objeto da merecida atenção.

Violência contra a mulher em uma sociedade injusta e desigual como a nossa se insere no contexto das demais violências como a violência por motivos vários como etnia, crença religiosa, condição social, física, mental, sensorial etc.

Tudo é violência que, além de não ser jamais tolerável, não pode tampouco ser tomada como móvel de argumentação seletiva, pois se não é possível alimentar o anseio de uma sociedade patriarcal, tampouco podemos adjudicar o propósito de transformá-la em matriarcado, ou seja lá a fórmula com a qual se venha a insinuar a oligarquia (hegemonia impositiva de grupos).

A contemporaneidade exige participação isonômica de todos nos bens da vida, indistintamente, pois ninguém é melhor ou pior de que o seu semelhante.