Diplomas para jornalistas

Por Frederico Vasconcelos

No apagar das luzes da gestão do desembargador José Renato Nalini, o Tribunal de Justiça de São Paulo distribuiu diplomas a 46 personalidades, por “relevantes serviços ao Poder Judiciário paulista”.

Entre os agraciados estão os jornalistas Percival de Souza e Fausto Macedo, numa lista que inclui magistrados, servidores e uma dezena de tabeliães, representantes de cartórios, notários e registradores.

A opção de aceitar um título, uma medalha ou um diploma é questão de foro íntimo. Deve ser respeitada. Fausto e Percival são dois profissionais conceituados, merecedores da admiração de leitores, magistrados e operadores do direito. (*)

A homenagem à imprensa ocorre no final de uma administração marcada pelo troca-troca de honrarias e solenidades que transformaram o Tribunal de Justiça de São Paulo numa espécie de academia de letras aquecida pela fogueira de vaidades.

É contribuição relevante do jornalismo ao Judiciário registrar o desperdício de recursos públicos com cerimônias para concessão de medalhas e diplomas.

Faz parte do ofício da imprensa noticiar, por exemplo, a entrega de cerca de cem títulos de cidadão de municípios paulistas a Nalini, o que levou o presidente a cumprir –nos últimos meses– uma extensa agenda de visitas a cidades do interior, com gastos em solenidades desimportantes que retiram magistrados e servidores de suas tarefas nas comarcas.

Mesmo admitindo-se que essas cerimônias traduzam o reconhecimento pelos méritos de Nalini à frente do tribunal, vários magistrados têm dúvidas sobre a espontaneidade e oportunidade dessas manifestações. Supõem ser o uso da máquina para facilitar a indicação a um cargo público depois da aposentadoria compulsória.

Nalini diz que é “passageiro”, e que as homenagens são dirigidas ao Judiciário.

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(*) O editor deste Blog corre o risco de que essas observações sejam interpretadas como inveja por não estar entre os diplomados –hipótese que afasta. Este jornalista polidamente recusou, anos atrás, uma medalha da Justiça Militar. Dois fatores reforçaram a decisão. Foi surpreendido ao receber cumprimentos de colegas jornalistas pela comenda militar, antes mesmo que tivesse sido consultado sobre a indicação. E não tem a menor ideia de quais foram os “relevantes serviços” que prestou à Justiça castrense.