“2016 vai ser o ano de Cármen Lúcia”

Por Frederico Vasconcelos

De Joaquim Falcão, professor da FGV Direito-Rio e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, em entrevista ao “Diário de Pernambuco”:

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Cármen Lúcia aviso aos navegantes2015 foi o ano do Teori Zavaski, que foi um grande ministro. Ele é um ministro extremamente profissional. E eu costumo dizer que 2015 foi do Teori, “o invisível”, porque você não vê ele dando declarações na mídia, mas você vê ele fazendo o trabalho dele com coragem, determinação e isenção. Ele passou a ser um exemplo, um modelo de juiz. Receavam que, pelo fato de ele ter sido indicado por Dilma, ele ia ser um ministro do governo, mas não aconteceu isso.

O ano de 2015 foi o ano de Teori, o invisível, mas presente. As decisões dele afetaram a nós todos. E tem um fator importante que é o seguinte: ele acreditava, no passado, que o Supremo discordava sempre da primeira instância, mas o que estamos vendo na Lava-Jato é que o Teori confirmou mais de 90% das decisões de Curitiba.

Já o ano de 2016 vai ser o ano de uma mulher, vai ser o ano da Cármen Lúcia (vice-presidente do STF). Ela faz parte desse grupo de ministros de alta qualificação técnica, independente politicamente e sintonizada com as questões da cidadania, do povo. Em novembro, ela disse uma frase que revela bem o que vai fazer: “o crime não vencerá a Justiça”, disse.

Um estudo da Maria Tereza Sadek (cientista política) mostrava a ascensão da mulher no Judiciário e ela mostra, nos dados, que as juízas são mais críticas e mais determinadas que os juizes, então, isso vai mudar a Justiça. Pela disposição que as mulheres já revelam.