“Juizite, promotorite, advogatite e delegatite”

Por Frederico Vasconcelos

José Carlos Dias juizite

Em entrevista a Monica Gugliano, publicada no supemento semanal do jornal “Valor“, o advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, diz que está inteiramente de acordo com o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao criticar a decisão que admite a prisão de condenados em segunda instância.

“O Supremo Tribunal Federal avançou o sinal”, diz Dias.

“Ele [Lewandowski] também apontou que a Constituição é clara ao impedir que a pena seja cumprida antes do trânsito em julgado. A perplexidade dele também é minha. E, assim como eu, ele assinalou que o Supremo está apenas transferindo um problema do sistema penitenciário no Brasil.”

“Todos sabemos da superpopulação carcerária e que o sistema está falido”, diz o advogado.

“Tenho 50 anos de profissão e sou um cidadão absolutamente desiludido com a Justiça brasileira. A Justiça brasileira funciona mal, é lenta, os juízes são despreparados e há corrupção”, diz.

“Demos poucos passos para modernizar e melhorar nossa Justiça após a criação do Conselho Nacional de Justiça.”

Sobre os alegados excessos na Operação Lava Jato, o advogado afirmou:

“Acho que sofremos de um sério mal que chamo de juizitee, promotorite, advogatite e delegatite’. Perdemos a discrição inerente à nossa profissão”.

“Sou completamente a favor da liberdade de imprensa. O responsável por essa distorção [tornar pública as declarações dos réus] não é o jornalista que publica a notícia. O culpado é quem vaza a informação. Sou contra esse proselitismo que pode incorrer em ilegalidades. Em meu escritório seguimos a norma de não falar sobre nossos processos ou nossos clientes.”