As operações da Polícia Federal e o último a saber

Por Frederico Vasconcelos

Thomaz Bastos e Cardozo

Em entrevista a Marina Dias, na Folha desta quarta-feira (2), o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo diz o seguinte sobre as operações da Polícia Federal:

O ministro da Justiça sabe de uma operação no momento de sua deflagração. Apenas verifica se os pressupostos jurídicos estão dados. As pessoas não entendem isso, talvez acostumadas a outro período da história brasileira”.

Em 2003, quando foi deflagrada a Operação Anaconda –narrada oficialmente como uma investigação longa e sigilosa da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal para desmantelar a máquina de corrupção incrustada no braço paulista da instituição–, o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou algo semelhante.

Thomaz Bastos costumava dizer aos jornalistas que procurava não saber do andamento das investigações sigilosas, para não correr o risco de falar a respeito.

“Quando a operação [Anaconda] ainda estava longe das câmeras de televisão, um delegado afirmou a uma das procuradoras que o ministro da Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal desconheciam aquela operação sigilosa.” (*)

As declarações de Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo devem ter gerado dúvidas da mesma espécie.

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(*) “Juízes no Banco dos Réus“, pág. 305 [PubliFolha – 2005]