Mercadante: “pá, pá, pá – pá, pá, pá”

Por Frederico Vasconcelos

A comunidade jurídica deve acompanhar com interesse os eventuais desdobramentos dos diálogos publicados na delação do senador Delcídio do Amaral, nas conversas gravadas entre o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e José Eduardo Mazargão, assessor do senador petista, entregues à Procuradoria-geral da República, segundo antecipou a “Veja”.

Supõe-se que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal também tenham interesse em ver esclarecidos os motivos da menção –na delação premiada de Delcídio do Amaral– a alguns membros do Judiciário nas articulações para soltar presos da Operação Lava Jato.

O trecho a seguir, atribuído ao ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma, propondo uma iniciativa para socorrer Delcídio e evitar a delação, não sugere uma ponte republicana entre os dois Poderes:

“Talvez o Senado fazer uma moção, a mesa do Senado, ao Teori, entendeu? Um pedido: olha, nós demos autorização considerando o flagrante, considerando as condições etc, mas não há necessidade pá, pá, pá – pá, pá, pá. E tentar construir com o Supremo uma saída”.

Em entrevista coletiva, Mercadante alega que não houve transcrição completa de um dos trechos da gravação: “Tem que construir uma saída para ele sair de lá, uma saída viável. Se ele está ameaçando a delação, mesmo que queira fazer, eu não vou entrar nisso. A decisão é dele. Ele faz o que achar que deve.”