Obras de Delcídio na “construção de pontes”

Por Frederico Vasconcelos

Delcídio e a patologia ética

A seguir, trechos de revelações do senador Delcídio do Amaral a Daniel Pereira, da “Veja“, em reportagem sob o título “Lula comandava o esquema“, na qual o ex-líder do governo relata episódios de sua “história de construção de pontes”:

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O Lula sabia que eu tinha acesso aos servidores da Petrobras e a executivos de empreiteiras que tinham contratos com a estatal. Ele me consultava para saber o que esses personagens ameaçavam contar e os riscos que ele, Lula, enfrentaria nas próximas semanas da investigação.

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Combinou-se uma estratégia para melar a Lava Jato no Supremo. O presidente do STF [ministro Ricardo Lewandowski] era peça-chave no plano. Eu, Dilma e José Eduardo Cardozo discutimos isso juntos. Ficou acertado que o encontro seria no exterior, para não chamar a atenção.

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Dias depois da reunião, a presidente conversou em Portugal, fora da agenda, com Cardozo e Ricardo Lewandowski. Teori Zavascki, relator da Lava Jato, também foi convidado para o encontro, mas não aceitou. Na conversa, Dilma tentou convencer Lewandowski a aderir ao acordão. Fracassou. Ao voltar ao Brasil, ela me disse que Lewandowski recusara republicanamente a convocação partidária. Pouco tempo depois, Lula me contou a mesma coisa –que procurara Lewandowski, mas ele se recusara a atendê-lo.

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Delcídio do Amaral assim define sua atuação: “Fui soldado de um projeto de poder e fiz uma escolha errada”.

Neste sábado, a Folha revelou que a administração da presidente Dilma Rousseff afirmou, em nota, que o senador segue “estratégia de vingança” e inventa “estórias mirabolantes”. Segundo ela, a presidente determinou que sejam tomadas medidas judiciais contra o senador por calúnia e difamação.