A quem a carta de Janot interessar possa

Por Frederico Vasconcelos

Entendida por alguns como um “cala-boca” geral, a carta que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enviou nesta terça-feira (22) aos membros do Ministério Público deve ter gerado uma interrogação sobre a motivação maior do missivista e quais seriam os destinatários preferenciais.

Janot afirmou que não se pode permitir “que as paixões das ruas encontrem guarida entre nossas hostes” e que é necessário ficarem “alheios aos interesses da política partidária”.

A propósito, o site “Migalhas” publica nesta quarta-feira a seguinte nota, sob o título “Independência funcional. E política”:

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Quando o ministro Noronha, semana passada, rebateu as críticas que Lula teria feito ao Judiciário, o subprocurador-Geral da República João Pedro de Saboia Bandeira pediu a palavra e criticou o ministro. Ao final, levantou-se e abandonou a sessão. Ontem, estava ao lado da presidente na dita reunião de juristas contra o impeachment. Agora, a pergunta que fica é: o que um representante do parquet vai fazer num ato político? Não é algo que condiz com a sobriedade e o distanciamento que se exige do cargo.