Imobilismo do Estado e cultura da desconfiança

Por Frederico Vasconcelos

Os jornais das últimas semanas reservaram espaços generosos para um debate tenso e acalorado sobre o papel de organismos de controle e fiscalização criados na administração pública brasileira.

Não pretendo participar focando no que está posto –que são as atribuições das instituições concebidas para auxiliar os gestores governamentais-, porque iso é apenas um efeito. Prefiro olhar para a causa -e a causa é um fenômeno chamado cultura da desconfiança.

As relações entre empresas, entre estas e o poder público e entre o poder público e a sociedade deveriam ser pautadas pelo princípio da confiança.

Entretanto, a cultura da desconfiança impôs ao servidor público e a todos aqueles que com ele se relacionam um emaranhado de medidas que tem levado o Estado ao imobilismo”.

O diagnóstico acima, que parece descrever o cenário atual, foi feito em 1º de novembro de 2009 por Emílio Odebrecht, em artigo na Folha.