Operação antivazamento no Ministério da Justiça

Por Frederico Vasconcelos

Eugênio Aragão e criptografia

O Ministério da Justiça anuncia uma medida aparentemente afinada com a preocupação do titular da pasta, Eugênio Aragão, em eliminar vazamentos.

O gabinete do ministro está convocando empresas especializadas para “conhecer soluções integradas e inovadoras, relacionadas à área de comunicação digital criptografada para múltiplos ambientes”.

Os interessados deverão pedir audiência para expor a uma comissão seus produtos e serviços, sob os seguintes aspectos: funcionalidades; segurança e criptografia; requisitos das plataformas; cases de implantação; possibilidade de adequação às necessidades do Ministério da Justiça; prazos necessários para entrega da solução atual e das adequações; forma de comercialização, suporte técnico e licenciamento.

Em entrevista concedida a Leandro Colon, da Folha, um dia depois da posse, Aragão disse que “um dos problemas estratégicos é a questão do vazamento de informações, que alguns dizem que são seletivos”.

Na ocasião, Aragão enviou um controvertido recado à Polícia Federal (“cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Não preciso ter prova”).

Ele admitiu que o vazamento pode ter outras origens: “Estou falando de polícia, Ministério Público, do juiz, e eventualmente do advogado. Mas o advogado tem uma vantagem: não é agente público. Mas os agentes públicos têm código disciplinar. O Estado não pode agir como malandro. A minha grande preocupação é com a qualidade ética desses agentes. Se vaza, é coisa clandestina”.

O Blog pediu informações ao Ministério da Justiça sobre a consulta às empresas.