Estupro: “O corpo como flagelo, a alma como lixo”

Por Frederico Vasconcelos

“Enquanto houver uma mulher no planeta sofrendo agressão, todas nós estaremos sendo agredidas”, afirmou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2015, num encontro de juízes que atuam na jurisdição da violência doméstica.

“A vítima é cada uma e todas nós”, voltou a afirmar a ministra, ao comentar nesta sexta-feira (27) o estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro.
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“Não pergunto o nome da vítima: é cada uma e todas nós mulheres e até mesmo os homens civilizados, que se põem contra a barbárie deste crime, escancarado feito cancro de perversidade e horror a todo o mundo.

O gravíssimo delito praticado contra essa menor – mulher e, nessa condição, sujeita a todos os tipos de violência em nossa sociedade – repugna qualquer ideia de civilização ou mesmo de humanidade.

É inadmissível, inaceitável e insuportável ter de conviver sequer com a ideia de violência contra a mulher em nível tão assustadoramente hediondo e degradante. Não é a vítima que é apenas violentada. É cada ser humano capaz de ver o outro e no outro a sua própria identidade.

A luta contra tal crueldade é intensa, permanente, cabendo a cada um de nós – mais ainda juízes – atuar para dar cobro e resposta à sociedade contra tal chaga da sociedade.

O que ocorreu não é apenas uma injustiça a se corrigir; é uma violência a se responsabilizar e a se prevenir para que outras não aconteçam.

Repito: a nós mulheres não cabe perguntar quem é a vítima: é cada uma e todas nós. Nosso corpo como flagelo, nossa alma como lixo. É o que pensam e praticam os criminosos que haverão de ser devida e rapidamente responsabilizados”

Ministra Cármen Lúcia – STF