Nos tempos em que propina era “caixinha”

Por Frederico Vasconcelos

Caixinhas
Há 50 anos, na Folha, quando propina ainda era chamada de “caixinha” ou “venalidade para fins eleitorais”, corrupção de empreiteiras era tratada como “contribuição” ou “empréstimos e favores inconfessáveis” (muito antes, supõe-se, da delação premiada):

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Fonte do Ministério da Justiça anunciou ontem que o presidente Castelo Branco “não hesitará em cassar mandatos e suspender direitos políticos de quaisquer deputados, sejam de que agremiação forem, acerca dos quais se colham indícios seguros de venalidade para fins eleitorais”.

O min. Mem de Sá já se entendeu com o SNI e o DFSP para verificar “se e onde está havendo compra de votos e de passes de deputados, para eleger candidatos à custa de dinheiros públicos, com empréstimos e favores inconfessáveis, de contribuição de empreiteiros de obras públicas e de outros conhecidos tipos de “caixinhas” ainda em uso, desgraçadamente, em alguns Estados”.

O presidente, que está acompanhando “com a maior atenção” o noticiário sobre suborno e corrupção em torno das eleições para governadores, “faz questão de manter as regras do jogo eleitoral, que tem como principal característica a lisura e a limpeza dos pleitos”.

O ministro Mem de Sá afirmou que “os corruptos precisam ficar advertidos para não caírem numa modalidade de vigarice”. “Correm o risco de comprar por muito dinheiro coisa sem valor, ou seja, o voto de quem não terá voto, pois deixará de ser deputado antes do dia 3 de setembro”.