“Gazeta do Povo” foi premiada pela AMB em 2015

Por Frederico Vasconcelos

Prêmio AMB de Jornalismo

 

Jornalistas da “Gazeta do Povo”, do Paraná, estão entre os profissionais vencedores do Prêmio AMB de Jornalismo em 2015. Dois profissionais da equipe premiada no ano passado assinaram neste ano reportagens sobre os vencimentos da magistratura do Paraná que levaram juízes a moverem ações de indenização.

A premiação foi um dos temas que o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo Costa, abordou na carta enviada a juízes paranaenses, na última sexta-feira (10), a título de esclarecer a posição da entidade nacional, “diante da repercussão e dos desdobramentos da questão que envolve a Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) e o jornal Gazeta do Povo”.

A mensagem trata de dois aspectos que devem ter gerado críticas de magistrados do Paraná, a julgar pela decisão da AMB de dar explicações: a) a própria premiação de 2015; b) a divulgação, no último dia 7, de um post [reproduzido acima] no Dia da Liberdade de Imprensa, valorizando o “exercício autônomo da imprensa” e  anunciando o certame deste ano, na mesma data em que, segundo a AMB, “a crise entre magistrados do Paraná com o jornal ‘Gazeta do Povo’ ganhou repercussão”.

A seguir, os comentários do presidente da AMB na correspondência aos juízes:

 

a) Sobre o Prêmio AMB de Jornalismo

“No dia 11 de maio de 2015, na X edição do Prêmio AMB de Jornalismo, uma matéria assinada e produzida por uma equipe de jornalistas do jornal Gazeta do Povo foi premiada. Posteriormente, quase um ano depois, dois profissionais desta equipe assinaram matérias atacando os vencimentos da magistratura do Paraná.

Esclarecemos que o prêmio está incluído na grade de eventos oficias da AMB desde 2004, o qual é composto por um regulamento transparente que veda, há alguns anos, qualquer matéria que possa desqualificar o Judiciário. Este mesmo regulamento determina que o júri escolhido para avaliar as matérias inscritas seja formado por profissionais da imprensa e de outros setores, com isenção para fazer a seleção dos vencedores. Nesta última edição, inclusive, esteve entre os jurados o jurista do Paraná, René Ariel Dotti.

Portanto, é fato que as agressões contra a magistratura do Paraná ocorreram posteriormente à premiação. Durante todo este tempo nenhuma manifestação ou descontentamento sobre o prêmio foi levado ao Conselho de Representantes da AMB sobre este fato.

Diante desses fatos, a AMB não pode ser acusada de qualquer conivência ou favorecimento ao jornal. Pelo contrário, a premiação da matéria comprova a isenção e seriedade na condução do Prêmio AMB de Jornalismo.”

 

b) Sobre o post no Facebook relativo à liberdade de imprensa

No dia 7 de junho, dia em que se comemorou a liberdade da imprensa no País – coincidentemente mesma data na qual a crise entre magistrados do Paraná com o jornal Gazeta do Povo ganhou repercussão – foi postado na página da AMB no Facebook um post sobre a importância da liberdade de imprensa.

A veiculação ocorreu no dia 7, às 08h25 da manhã. Tal post, assim como tantos outros conteúdos da entidade, já estava previamente agendado há algumas semanas, assim como um rol de posts previamente aprovados e programados para veiculação. Somente por volta das 12h, o corpo diretivo da entidade tomou conhecimento das matérias da mídia do Paraná com críticas à Amapar. Portanto, não tínhamos condições de prever os acontecimentos.”

 

João Ricardo Costa encerra a carta com a seguinte mensagem: “Diante dos esclarecimentos prestados, mais uma vez, expressamos a nossa solidariedade aos juízes e juízas paranaenses e registramos que esta manifestação é motivada pelo compromisso com a verdade, e de bem servir à magistratura brasileira”.