A velha máquina que fritava ministros

Por Frederico Vasconcelos

Prédio da FiespNo final dos anos 80, um artigo de autoria do editor deste Blog, publicado na Folha sob o título “Um Mito Plantado na Avenida Paulista“, tentou colocar na dimensão devida a perda de influência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), então citada na mídia como a “poderosa entidade da indústria”.(*)

“Ninguém governa este país sem o apoio desta casa”, afirmara com certo exagero, anos antes, um ex-presidente da federação.

O ABC havia deixado de ser o centro de tensões no país. Com o processo de redemocratização, o Congresso, em Brasília, passou a ser o palco maior dos conflitos de interesses. Lideranças sindicais –de patrões e trabalhadores– disputavam os votos dos eleitores. A Fiesp perdera o “poder” de indicar e “fritar” ministros.

Três décadas depois, um empresário que participou da cúpula da Fiesp confirma como eram tratados os ministros da Nova República. Eis o que diz o empresário Ricardo Semler, em artigo publicado na Folha neste domingo (17):

Até dou um sorriso envergonhado quando lembro que era vice-presidente da Fiesp há 30 anos, e ficávamos contando causos na sala da presidência, enquanto ministros da Fazenda ou Indústria tomavam chá de cadeira na recepção. ‘Deixa eles lá, estão no bolso’, diziam meus colegas, naquela mesmíssima pirâmide.

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(*) Folha de S.Paulo, 23/7/1989
(**) Sócio da Semco Partners e fundador do Instituto Lumiar, que administra as escolas Lumiar. Foi vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e professor visitante da Harvard Law School