Dallagnol: “Não sou opinador-geral da nação”

Por Frederico Vasconcelos

Dallagnol

Principal porta-voz –entre os onze procuradores da República que atuam na Lava Jato– sobre as medidas anticorrupção, Deltan Dallagnol concedeu entrevista a André Guilherme Vieira e Maria Cristina Fernandes, do “Valor“, publicada nesta segunda-feira (29).

Com “um didatismo pastoral”, segundo os entrevistadores, Dallagnol defende as dez medidas anticorrupção, trata de vários temas, como vazamentos, caixa dois, propina, e critica a “cultura do garantismo hiperbólico monocular ou hipergarantismo”.

“No Brasil, existe um garantismo que não olha para os direitos das vítimas e da sociedade, apenas os dos réus”, diz. Segundo ele, “esse desequilíbrio entre o direito dos réus e o das vítimas leva a que todos os grandes casos de corrupção envolvendo pessoas influentes acabem impunes”.

“Se queremos acabar com a corrupção, precisamos que todas as pessoas de direita, esquerda e centro, pró e contra o impeachment, se unam em torno de uma pauta comum contra um fenômeno que sangra o país.”

Quando os jornalistas dirigiram o foco para algumas mazelas do Ministério Público –como o corporativismo e os penduricalhos– Dallagnol aparentemente preferiu não enfrentar a questão:

Valor – Se o MP está em cruzada para mudar o país também não deveria se manifestar de maneira mais clara sobre reajustes salariais e regalias que mantêm a corporação como uma casta no funcionalismo no meio de uma recessão?

Dallagnol – Me perguntar sobre isso é o mesmo que me perguntar sobre qual deveria ser a política pública de saúde ou educação. Não tenho visibilidade permanente na República. Minha exposição é passageira porque recaiu sobre mim um caso”.

Valor – Mas o senhor pertence a uma dessas corporações…

Dallagnol – Não me manifesto pela corporação. Não sou da associação dos procuradores. Minha temática é combate à corrupção e impunidade. Não sou um opinador-geral da nação.