Prisões da PF e liturgia dos ministros da Justiça

Por Frederico Vasconcelos

Thomaz Bastos e Alexandre Moraes

O então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos costumava dizer a jornalistas que procurava não saber do andamento das investigações sigilosas da Polícia Federal para não correr o risco de falar a respeito. Era a versão do ministro.

Na Operação Anaconda, em 2003, a primeira grande operação da PF, Thomaz Bastos avisou na véspera ao então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que haveria prisões. Dirceu comunicou imediatamente ao presidente Lula, segundo relatou na época o repórter Kennedy Alencar.

No último domingo (25), segundo o jornal “O Estado de S. Paulo“, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes declarou, em Ribeirão Preto, reduto político do ex-prefeito e ex-ministro Antonio Palocci, que novas investigações da Lava Jato seriam realizadas nesta semana.

Segundo o jornal, Moraes conversava com o grupo anti-PT Movimento Brasil Livre: “Esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos”.

Horas depois, sua assessoria de imprensa informou que a declaração era apenas uma “força de expressão”, usada pelo ministro com o intuito de garantir a continuidade das investigações.

Palocci foi preso nesta segunda-feira (26).

Eis a nota divulgada posteriormente pelo Ministério da Justiça:

“Em resposta às perguntas sobre a continuidade da Lava Jato e a afirmação de que diversos setores seriam contra a manutenção das operações, em virtude de eventuais abusos ocorridos na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes reafirmou a legalidade da atuação da Polícia Federal no cumprimento do mandado judicial de prisão do ex-ministro Guido Mantega, bem como o apoio integral à continuidade das operações e afirmou que, desde que assumiu o Ministério da Justiça e Cidadania a PF vem tendo apoio total e que, em quase todas as semanas houve operação e que, certamente, continuariam nesta semana, na próxima e enquanto houver necessidade. Indagado, ainda, se a continuidade das investigações e operações era compromisso do Governo Federal, o ministro Alexandre de Moraes novamente deu essa garantia e afirmou que as pessoas lembrariam desse compromisso com a continuidade da atuação independente da Polícia Federal.”