Cármen Lúcia surpreende os magistrados

Por Frederico Vasconcelos

A manifestação enfática da presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministra Cármen Lúcia, em defesa dos juízes brasileiros foi recebida como uma agradável surpresa por muitos magistrados.

“Não é admissível aqui, fora dos autos, que qualquer juiz seja diminuído ou desmoralizado. Como eu disse, quando um juiz é destratado, eu também sou”, afirmou a ministra, no início da 240ª Sessão Ordinária do CNJ nesta terça-feira (25).

Lida, como não poderia deixar de ser, como um recado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, a fala da ministra deixou muitos juízes satisfeitos ao rebater as críticas do senador peemedebista ao juiz Vallisney Souza de Oliveira, chamado por Renan de “juizeco” por haver determinado a prisão de quatro policiais legislativos.

A mensagem de Cármen Lúcia chega num momento em que as entidades de classe da magistratura estão numa espécie de silêncio respeitoso, aparentemente preocupadas com declarações anteriores da presidente do CNJ contra o corporativismo no Judiciário.

Um juiz mais cético definiu o pronunciamento da ministra nesta terça-feira como um “milagre”. E aposta que, em seguida, pode vir alguma decisão que contrarie as associações de juízes.

Vale lembrar que, semanas atrás, magistrados gaúchos manifestaram em nota oficial que gostariam de ver a presidente do CNJ defendendo os interesses dos juízes. Melhor dizendo, o “lobby” do setor.