Corregedor Nacional de Justiça convida ministros do STJ para jantar com presidente do Banco do Brasil

Por Frederico Vasconcelos

João Otávio de Noronha e Paulo Rogério Caffarelli

O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, recebeu para jantar nesta terça-feira (22) vários ministros do Superior Tribunal de Justiça. O encontro com a diretoria foi realizado no restaurante do banco, em Brasília.

Os convites aos ministros foram feitos pelo corregedor Nacional de Justiça, João Otávio de Noronha.

Noronha diz que foi um encontro de amigos. O banco informa que foi uma reunião de trabalho.

“O Caffarelli é meu amigo. Trabalhei 27 anos no Banco do Brasil. Foi um jantar de amigos. Chamei alguns colegas. Foi um bate-papo. Não se discutiu processos e nem política. Foi uma confraternização. Eu convidei só os amigos, não foi nada institucional”, diz o coregedor.

Eis a versão do banco, um dos litigantes de maior presença na seção de Direito Privado do STJ:

O Banco do Brasil informa que recebeu na noite de ontem ministros do STJ para apresentar iniciativas voltadas à redução do número de processos em tribunais, onde o Banco conste como litigante. A reunião, marcada para o início da noite, foi seguida de jantar de cortesia oferecido pelo Banco do Brasil em restaurante próprio localizado na sede do Banco.

Nos últimos três anos, o Banco do Brasil desenvolveu uma série de ações para melhorar o atendimento, aprimorar processos e aumentar índices de efetividade na conciliação com seus clientes, o que evita a judicialização de reclamações e melhorou significativamente a posição do BB em rankings de reclamações do Banco Central e do Procon.”

Convidado pelo presidente Michel Temer em maio deste ano para dirigir o banco oficial, Caffarelli iniciou a sua carreira profissional no Banco do Brasil, onde trabalhou por mais de 30 anos, em diversos cargos da Diretoria Executiva.

A assessoria do STJ informou que “o tribunal não vai se manifestar sobre o evento, porque ele foi compromisso pessoal dos ministros”.

Comentário reservado de um ministro do STJ: “Como o Banco do Brasil dá um jantar, num momento em que está fechando 400 agências?”

Noronha vinha convidando ministros para o jantar desde o início do mês.