Hipocrisia na sabatina de Moraes

Por Frederico Vasconcelos


Em sua coluna nesta quarta-feira (22) na Folha, o jornalista Bernardo Mello Franco trata da sabatina de Alexandre de Moraes, futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, realizada na véspera.

“Coube ao folcl√≥rico Magno Malta [PR-ES], defensor do governo Temer, fazer a pergunta que interessava: ‘O senhor est√° sendo indicado para blindar os seus amigos?’. O ex-advogado de Eduardo Cunha respondeu que n√£o, e a conversa parou por a√≠.”

Segundo revela “O Estado de S. Paulo”, Magno Malta perguntou ao ministro licenciado se ele ‚Äėn√£o tem vergonha‚Äô de ter feito lobby para ser aprovado ministro do Supremo Tribunal Federal. ‚ÄúO sr. que est√° servindo um governo, o sr. n√£o tem vergonha de ter feito um lobby de gabinete em gabinete (no Senado)? √Č hipocrisia demais‚ÄĚ, provocou Malta.

Vale recordar trechos de pronunciamento de Magno Malta em 2005, quando o plenário do Senado rejeitou, numa primeira votação, a indicação de Alexandre de Moraes para compor o Conselho Nacional de Justiça:

“Senhor presidente, lamento que o nome do Sr. Alexandre de Moraes tenha ca√≠do. Conhe√ßo esse rapaz, que √© integro, de bem, est√° a servi√ßo da Na√ß√£o e presta um dos maiores servi√ßos ao Estado de S√£o Paulo. (…) Era um dos melhores quadros do Pa√≠s a integrar o Conselho. (…) Inexplicavalmente, o nome dele cai. (…) Tenho o direito, por conhecer esse mo√ßo, de revelar minha insatisfa√ß√£o em fun√ß√£o de n√£o ter sido aprovado seu nome no plen√°rio do Senado Federal”.