Reflexões sobre os desafios da Lava Jato

Por Frederico Vasconcelos

A seguir, dois comentários sobre os três anos da Operação Lava Jato:

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A palavra-chave é comprometimento. De todos, sempre. Não só em casos mais rumorosos.

Se todo e qualquer membro do ministério público e da magistratura trabalhasse as 40 horas semanais sempre, 70% dos problemas nacionais estariam sendo melhor resolvidos.

O domínio do poder econômico sobre o poder político decorre da impunidade: sempre fizeram porque valia a pena. Não tinha punição!

Já se sabe de algumas estatísticas: quantos casos foram efetivamente investigados, e desses todos que tiveram denúncia oferecida perante o Poder Judiciário, aconteceu o quê?

Não adianta ministério público comprometido sem Poder Judiciário idem!

E é preciso parar de “interpretar”, para arranjar alguma saída processual para não ter que enfrentar o mérito.

É chegada a hora de o Poder Judiciário, como poder de Estado, ser igualmente cobrado pela sociedade. Tem que ser depurado como se está fazendo com o Poder Executivo e o Legislativo.

E a hora é agora!

Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República aposentada.

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Que a corrupção atingiu níveis jamais antes revelados é fato e, diferentemente do passado, sequer hoje é repudiado por seus praticantes.

O elemento mais preocupante nesse contexto é a tentativa de agentes políticos invocarem preceitos democráticos para atacar reação institucional legítima das autoridades incumbidas na depuração dos fatos.

Atacam certas posturas, não para defenderem a democracia, mas porque revelam suas tentações internas, ou traduzem ações ou potenciais ações de que não desejam abrir mão, tampouco assumir suas consequências.

Esquecem-se que democracia é forma de governo no qual se estabelece, de antemão, quem tem o poder de decisão, de que forma e para o interesse do todo, observadas as minorias, sendo que a sua violação deve gerar consequências iguais a todos e na medida da culpabilidade.

Fausto Martin De Sanctis, desembargador federal.