Juízes questionam deputado que criticou Moro

Por Frederico Vasconcelos

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) pretende ingressar com representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) por suposta manifestação nas redes sociais com críticas aos juízes em geral e ao juiz Sergio Moro, “de forma leviana e irresponsável”.

Segundo a entidade, o parlamentar afirmou que o Judiciário “é o poder mais podre deste país”, que Moro é um “irresponsável”, “um insano” e que ele, Pimenta, não tem medo “de bandido, de bandido de toga, de bandido procurador, promotor”.

“Não podemos aceitar que um deputado, membro do Congresso Nacional, do Poder Legislativo, perca totalmente a razão e assaque contra outro poder, no caso o Judiciário, com tamanha ferocidade e irresponsabilidade”, diz o presidente da Ajuris, Gilberto Schäfer.

O deputado afirma que vai entrar nesta terça-feira (25) com representação na Polícia Federal, pedindo uma investigação para identificar os autores do que seria “uma montagem criminosa” de seu pronunciamento.

“Espero que a Ajuris não esteja se manifestando a partir de uma edição criminosa”, diz. Ele alega que a associação não teve o cuidado de procurá-lo antes de divulgar a iniciativa de questionar suas declarações.

Segundo o parlamentar, “não é razoável que a Ajuris entre com representação contra uma opinião, e é inaceitável que juízes não possam ser criticados”.

Eis a nota distribuída pela Ajuris:

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A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) ingressará com representação contra o deputado Paulo Pimenta (PT/RS) no Conselho de Ética da Câmara Federal em razão de graves acusações feitas por ele ao Poder Judiciário, aos juízes em geral e ao juiz federal Sergio Moro, em particular, de forma leviana e irresponsável. A manifestação, que atinge a independência de qualquer juiz brasileiro, foi gravada em vídeo pelo parlamentar e postada nas redes sociais.

Sem qualquer preocupação com o decoro e demonstrando desequilíbrio, o deputado diz que o Judiciário “é o poder mais podre deste país”, que Moro é um “irresponsável”, “um insano” e que ele, Pimenta, não tem medo “de bandido, de bandido de toga, de bandido procurador, promotor”.

Revelando desconhecimento sobre as prerrogativas de um juiz na condução de uma ação penal, Pimenta diz que Moro “está forçando uma ida de Lula” a Curitiba, aludindo ao interrogatório marcado para maio, o qual foi agendado originalmente no início de março.

A Ajuris identifica nesse tipo de manifestação a intenção que está por trás do projeto de abuso de autoridade, que pretende cercear a atuação de magistrados e promotores no combate à corrupção no país e que está prestes a ser votado no Senado.

“Não podemos aceitar que um deputado, membro do Congresso Nacional, do Poder Legislativo, perca totalmente a razão e assaque contra outro poder, no caso o Judiciário, com tamanha ferocidade e irresponsabilidade. Por isso, vamos acionar o deputado no Conselho de Ética”, diz o presidente da Ajuris, Gilberto Schäfer.