FBI treina servidores do Cade

Por Frederico Vasconcelos

Devon Mahoney e Mustafa Shalabi, agentes especiais do Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos, ministrarão treinamento em técnicas de entrevista a servidores do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Na condição de colabores eventuais, os agentes realizarão o curso em Brasília, no período de 22 a 27 de julho, conforme despacho do ministro da Justiça, Torquato Jardim.

O Cade informa que os servidores que darão o curso atuam em investigações de cartéis nos Estados Unidos.

Segundo a assessoria de imprensa do Cade, o treinamento faz parte da cooperação que o órgão mantém com outras autoridades antitruste.

“Já foram realizados, por exemplo, treinamentos semelhantes nas administrações anteriores, com a Federal Trade Comission – FTC dos Estados Unidos e com a autoridade israelense de defesa da concorrência.”

Ainda segundo o Cade, o uso de entrevistas como instrumento de investigação é comum em negociações de acordos por parte de autoridades antitruste.

O treinamento será feito sem ônus para o Cade, à exceção das passagens aéreas de dois dos quatro consultores que irão ministrar o curso.

O FBI tem representação no Brasil, na sede da embaixada dos Estados Unidos, em Brasília.

A Operação Lava Jato tem estimulado análises sobre atividades de agências norte-americanas no Brasil, o que envolveria prospecções em cooperação com órgãos do Ministério Público, do Judiciário, das Polícias e da Receita Federal.

Para alguns analistas, essa cooperação renderia, no mínimo, o compartilhamento de informações.

Segundo informou meses atrás o jornal “O Estado de S. Paulo”, “quase um ano após os investigadores da Operação Lava Jato identificarem servidores da Odebrecht na Suíça, parte das informações da empreiteira sobre pagamentos de propinas pelo mundo continua em segredo.

Sem conseguir acessar os dados, protegidos por uma série de códigos e chave de segurança, a Procuradoria-Geral da República recorreu até ao FBI, órgão de investigação dos Estados Unidos”.

A colunista Monica Bergamo, da Folha, também noticiou na BandNews que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa fechou um acordo de cooperação com o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Segundo a jornalista, a defesa do ex-executivo da estatal, primeiro delator da Operação Lava Jato, confirmou a conclusão da negociação, mas não deu detalhes.