Porosidade da coisa pública e esfera privada

Por Frederico Vasconcelos

Do desembargador Alfredo Attié Júnior, presidente da Academia Paulista de Direito:

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Não é irônico, mas muito sério que a coincidência tenha unido, no mesmo jornal [Folha], no mesmo dia, artigo de jurista, ora advogado do presidente da República, com o titulo: “Ministério Público de volta aos trilhos”, e a chamada de capa para o fato de membro da equipe da recém empossada (e nomeada, segundo nosso sistema, pelo mesmo presidente da República) procuradora-geral ter pedido exoneração porque flagrado revelando fato interno sigiloso e grave da procuradoria a advogada que trabalharia para a JBS, em almoço informal.

Também não é mera coincidência que o mesmo advogado do presidente da República tivesse que renunciar ao patrocínio de sua defesa, na segunda denúncia contra ele pelo Ministério Público, porque teria atuado como representante de delator, com oposição de interesses.

Essa porosidade da Administração Pública e dos órgãos de controle com a esfera privada dos negócios tem de ter fim.

Por ora, a “crise” permanece. Em meu entender, a crise é apenas a expressão do que o Brasil vem sendo há muito tempo.

Há sérias resistências a mudança. E esbarramos sempre em fatos graves e comprometedores.

O mundo da política da representação brasileira não condiz com os avanços da organização social.

Não há críticas pessoais, aqui, nem cabem. O Brasil precisa de nova estrutura. Vamos pensar e agir juntos.