“Follow the money” e o toma lá, dá cá

Por Frederico Vasconcelos

A seguir, trechos do voto divergente do ministro Roberto Barroso, no julgamento em que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal determinou, nesta terça-feira (26), o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do exercício de suas funções.

Por 3 votos (Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux) a 2 (o relator Marco Aurélio e Alexandre de Moraes), foi imposto ao senador o recolhimento noturno, a entrega de passaporte e a proibição de contatar outros investigados –o que supõe o impedimento de manter contatos sua irmã, Andréa Neves, também mencionada no voto divergente.

Os destaques a seguir foram publicados no site “Migalhas“:

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“Houve, está documentado, a conversa com Andréa Neves, a propósito desse dinheiro, em que se falava que em relação a ele se procederia da mesma forma com que se procedera na campanha de 2014 para mascarar o recebimento do dinheiro. Houve o depósito do dinheiro e a tentativa de ocultação da sua origem. Houve, igualmente documentado, a conversa com Joesley Batista, o agradecimento e a oferta de uma diretoria na Companhia Vale do Rio Doce. E houve menção a providencias para embaraçar o curso da Lava Jato.”

(…)

“O mais grave não é o que se faz com o dinheiro: se ele vai pra campanha ou se ele vai para o bolso – as duas condutas eu considero graves. Mas o mais grave de tudo é o que se faz para obter o dinheiro e a cultura que se cria para obtenção desse dinheiro. E aí se cria um país em que todos os contratos públicos são superfaturados para que seja possível desviar o dinheiro que vai para essa ‘ajuda’, que na verdade é dinheiro que não vai para educação, que não vai para a saúde, que não vai para fazer estradas. Então, não tem ‘custo zero’, esse dinheiro é tomado de algum lugar. Aliás, é tomado do povo brasileiro.”