Ministro relembra prisão de Theodomiro

Por Frederico Vasconcelos

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, postou mensagem no Twitter, nesta sexta-feira (27), relembrando a prisão, em 27 de outubro de 1970, de Theodomiro Romeiro dos Santos, hoje juiz aposentado do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco.

Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, ele foi o primeiro civil condenado à morte no Brasil republicano, em 1971, pelo assassinato de um militar no momento de sua detenção.

Sua pena foi depois convertida em prisão perpétua. Theodomiro Santos passou quase nove anos na galeria F, ala do presídio Lemos Brito, em Salvador, de onde fugiu em 1979.

Em março deste ano, o jornalista Leonardo Cruz publicou na Folha crítica sobre “Galeria F”, documentário sobre Theodomiro (Theo). O filme é dirigido por Emilia Silveira

Cruz alinha uma justificativa para que documentários como “Galeria F” sejam feitos: “não deixar que uma sociedade esqueça seus períodos mais duros e sombrios”.

Em setembro último, Og Fernandes causou polêmica nas redes sociais, e foi duramente criticado, por publicar uma enquete em que pergunta aos seus quase 5 mil leitores:

Vc é o juiz: o Brasil deve sofrer intervenção militar?

Diante da repercussão, escreveu na página: “Acalmem-se. De mim não verão qualquer manifestação fora da lei. Obrigado aos [que] entenderam o intuito da enquete”.

Ao jornalista Gustavo Maia, do UOL, ele disse ter feito a enquete por estar impressionado com o “nível de polarização” na sociedade brasileira.

“Me impressionou o nível de polarização que o país está, que em nenhuma outra situação eu percebi com tanto vigor. É preocupante porque às vezes a gente tem um sentimento de que o Brasil está com uma certa paz social, mas está muito polarizado”.

“Obviamente, as pessoas que me seguem conhecem meu estilo, perceberam que a pergunta não era uma indução, até porque era neutra”, afirmou.

“Estamos numa democracia. Ouvir a opinião das pessoas é a regra. Como juiz, continuarei a assegurar o direito de expressão”, manifestou em seu perfil.

Og Fernandes é bacharel em Direito e Jornalismo. Foi repórter do jornal “Diario de Pernambuco” e advogado criminal antes de ingressar na magistratura.

Em novembro de 2015, ele anunciou: “Aproveitando a experiência de jornalista, resolvi entrar no Twitter. Estou postando informações do Judiciário, notadamente do Judiciário Federal, como uma forma de atender ao interesse público”.

“Uso a mídia para prestar contas e transmitir ideias. Enfim, me sinto útil”, afirmou na ocasião ao Blog.