O auxílio-moradia em quatro tempos



Ivan Sartori, ex-presidente do TJ-SP, em entrevista à “Veja“, em 2012:

Esse benefício surgiu porque, por lei, parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal têm de ter os vencimentos equiparados. Os parlamentares ganhavam, além do salário, um auxílio-moradia – e os juízes pediram para receber o mesmo. Ganhamos essa ação e tivemos esse crédito reconhecido. Toda a magistratura foi beneficiada. A Justiça Federal e muitos Tribunais de Justiça já pagaram todo o retroativo. Em São Paulo, não havia dinheiro em caixa. O crédito avolumou-se com a correção monetária. Tudo somado, magistrados paulistas com cerca de trinta anos de carreira, como eu, têm créditos de mais de 1 milhão de reais atrasados. Com isso, recebemos de 8 000 a 11 000 reais a mais todos os meses, para saldar essa dívida.

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José Renato Nalini, ex-presidente do TJ-SP, em debate na TV Cultura, em 2014:

Esse auxílio-moradia, na verdade, ele disfarça um aumento do subsídio que está defasado há muito tempo.

Hoje, aparentemente, o juiz brasileiro ganha bem, mas ele tem 27% de desconto de imposto de renda, ele tem que pagar plano de saúde, ele tem que comprar terno e não dá para ir toda hora a Miami comprar terno, porque a cada dia da semana ele tem que usar um terno diferente, uma camisa razoável, um sapato decente… Ele tem que ter um carro.

Espera-se que a Justiça, ali, que personifica uma expressão da soberania, esteja apresentável. E há muito tempo não há o reajuste do subsídio.

Então, o auxílio-moradia foi um disfarce para aumentar um pouquinho… e até para fazer com que o juiz fique um pouco mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC e etc..

A população precisa entender isso. No momento em que eles perceberem o que o juiz trabalha, eles verão que não é a remuneração do juiz que vai fazer falta. Sa Justiça funcionar, vale a pena pagar bem o juiz.

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Paulo Dimas Mascaretti, ex-presidente do TJ-SP, em 2017, segundo o site G1:

O subsídio está defasado, não foi corrigido ao longo do tempo e ninguém está pedindo, como se vê na mídia, aumento real ou coisa parecida. Se nós tivéssemos esse subsidio de alguma maneira recomposto, tendo a sua correção anual como prevê a constituição, evidentemente que até se abriria mão desse auxílio-moradia nesse momento.

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Manoel Calças, em entrevista coletiva no dia da posse, em 5 de fevereiro, segundo o UOL:

Eu recebo [o auxílio-moradia] e tenho vários imóveis… Acho muito pouco o valor do auxílio-moradia.