Juízes ajudam ministros do STF no mensalão

Reportagem de autoria do editor deste Blog, publicada neste domingo (1/7) na Folha, revela que um discreto grupo de juízes de primeira instância convocados para auxiliar os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) assumiu papel-chave no processo do mensalão, ajudando a analisar as provas obtidas na fase de instrução e a preparar os votos que serão apresentados no julgamento, em agosto.

Alguns desses magistrados têm se reunido com frequência para trocar informações sobre o caso. Os encontros têm caráter informal e são realizados em geral fora do prédio do STF, em restaurantes e outros locais de Brasília.

O assunto é tratado com extrema reserva. O presidente do STF, ministro Ayres Britto, e o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, confirmaram os nomes de seus auxiliares no caso do mensalão. Outros ministros consultados não se manifestaram. Os juízes auxiliares evitam fazer comentários.

São citados na reportagem os seguintes juízes que ajudam os ministros na análise das provas e na elaboração das minutas de voto para o julgamento do mensalão:

Carlos Vieira von Adamek (juiz de direito em São Paulo, atua no gabinete do ministro Dias Toffoli);

Danilo Pereira Júnior (juiz federal do Paraná, atua no gabinete do ministro Gilmar Mendes);

João Carlos Costa Mayer Soares (juiz federal de Minas Gerais, atua no gabinete do ministro Ayres Britto);

Sergio Fernando Moro (juiz federal do Paraná, atua no gabinete da ministra Rosa Weber);

Júlio Ferreira de Andrade (juiz de direito em Minas Gerais, atua no gabinete da ministra Cármen Lúcia);

Leonardo de Farias Duarte (juiz de direito no Pará, atua no gabinete do ministro Joaquim Barbosa).

Comentários

  1. A “colaboração” é a confissão que S.Exas não sabem cuidar de ação penal…

    Por essas e por outras que é fundamental acabar com o foro especial.

  2. O ministro Toffoli tem um juiz auxiliar para o mensalão.
    Isso significa que ele não se declarará suspeito? Interessante…

  3. O que me surpreende é um magistrado deixar de exercer seu ofício, em uma demonstração clara de falta de compromisso com o cargo que ocupa, para ser assessor de um outro magistrado. Talvez seja mais “fácil” e vantajoso (!!!) ser assessor do que ser um magistrado na acepção da palavra

    1. Ora, ora… As decisões do primeiro grau de jurisdição valem cada vez menos mesmo. Nada mais natural do que os colegas aceitarem os convites para esta função muito mais importante, que é a de assessor dos ministros do STF. É quase como uma promoção…

      E quanto aos juízes federais, em qualquer vara há um ou mais funcionários, auxiliares do Juízo, com vencimentos superiores ao do juiz. Donde se infere, novamente, que o assessor é mais importante que o principal.

  4. Concordo com os ministros Marco Aurélio e Celso de Melo. É que enquanto o juiz auxiliar do STF está lá trabalhando e, talvez ganhando diárias, os processos de suas varas estão parados e se acumulando. É meio contraditório, tendo em vista que o STF vive exigindo que os juízes de primeira instância cumpram metas! Lugar de juiz é em sua vara. Também achei estranho o fato de juízes se encontrarem em restaurantes para discutirem coisas do trabalho! Até onde eu sei, restaurante é lugar de churrasco, choop e mulher bonita pra gente olhar!

Comments are closed.