“Irreprimível desejo de participação”

Apesar dos riscos, movimento “tem tudo para melhorar a sociedade”, diz juiz.

Sob o título “Melhorar a nossa sociedade“, o artigo a seguir é de autoria de Pio Giovani Dresch, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS).

 

Todo movimento de grande envergadura social nos desafia a análises, e no rastro das recentes passeatas surgem milhares de leituras, expressas em artigos e comentários.

Numa ocasião dessas é difícil sair do lugar comum, mas desde logo considero dispensável falar da legitimidade do movimento e da simpatia que desperta ou deplorar os excessos de alguns de seus participantes.

Cabe também ignorar os profetas do acontecido: estes sempre souberam que isso um dia aconteceria e conhecem todas as causas da rebelião, geralmente idênticas ao que eles próprios pensam. O político de oposição vê nos protestos a revolta contra o governo, o empresário vê a contrariedade em relação ao valor dos impostos e à ineficiência da máquina estatal, e assim por diante.

De minha parte, sem a ilusão de maior sucesso na leitura, trago algumas observações pontuais para ao menos contribuir no necessário debate sobre o tema.

Primeiro, faço a melancólica constatação de que os jovens que hoje protestam somente o fazem porque os jovens que protestaram antes deles em sucessivas gerações pouco ajudaram a mudar o mundo. Não interessa saber se isso aconteceu por acomodação, incapacidade ou mesmo por limites estruturais intransponíveis; o certo é que muitos dos que fizeram a luta contra a ditadura, pela anistia, pelas diretas já, contra o FMI são hoje respeitáveis senhores e senhoras que ocupam cargos de poder, seja no âmbito político, seja no empresarial, e o mundo que eles preconizavam não se realizou. Os caras pintadas que derrubaram Collor estão com quarenta anos, e a corrupção continua, não sei se maior, mas certamente mais visível.

De certo modo, trata-se de um conflito geracional: ainda que os protestos tenham angariado a simpatia do conjunto da sociedade, trazem embutido o desejo de um mundo melhor, que os jovens de hoje cobram de quem pragmaticamente superou seus sonhos juvenis de outrora para fazer este Brasil que está aqui hoje.

Não que nosso fracasso tenha sido completo: dezenas de milhões de brasileiros saíram da linha da miséria, e hoje é difícil negar que nosso país é menos injusto e desigual do que era há alguns anos. Aliás, várias análises que se fazem dos acontecimentos apontam como causa a falta de atendimento das novas demandas dessa classe média emergente (ou mesmo da antiga classe média, confrontada com uma maior competição por bens e serviços insuficientes).

De minha parte, embora concorde que a frustração econômica possa de algum modo influir nos acontecimentos, penso todavia que o grande motor das mobilizações se concentra no plano dos valores e da representação.

Embora tenham morrido as utopias que animaram tantas gerações, permanece a necessidade de lutar contra todos os modos de corrupção, de preservar nosso mundo e as espécies que nele vivem contra a depredação que se faz em nome do progresso, de denunciar os ataques obscurantistas contra um mundo mais tolerante, hoje visíveis nos felicianos tão bem albergados em nosso Congresso.

Quanto à representação, a percepção de que a política se faz com troca-trocas sem princípios, no contexto de um sistema político-partidário-eleitoral nunca mexido, leva à percepção de déficit de cidadania, ausência de representação. E se o Legislativo melhor retrata esse divórcio em relação ao desejo de cidadania, os demais poderes não estão imunes às críticas. Em todos os seus níveis, o Executivo tem optado por políticas questionáveis em termos de inclusão (e o movimento começou questionando o preço das passagens de ônibus, que, hoje se sabe, poderiam ser mais baratas); e o próprio Judiciário com frequência frustra a expectativa social, seja por sua lentidão, seja por tomar decisões que contrariam valores hoje brandidos nas passeatas.

No que darão as mobilizações não se sabe. A própria novidade desse movimento pós-moderno, que não veicula utopias e dilui as mais diversas demandas, dificulta qualquer prognóstico.

Como em todas as explosões populares, vem com ele também o risco da desvirtuação, como ocorreu por ocasião da ascensão do fascismo, ou da reação conservadora, principalmente se os atos mais violentos preconizados por alguns levarem a um crescendo de violência.

Trata-se, todavia, de um risco inerente a qualquer movimento catártico da sociedade, que não impede seja saudado como veículo de um irreprimível desejo de participação de novos atores, que tem tudo para melhorar a nossa sociedade.

Comentários

  1. Os movimentos de indignação são, por ora, demasiado informes para que, deles, possa sair uma alternativa. Mas, talvez, neste grande movimento global de indignação se comece um dia destes a esboçar qualquer coisa.

  2. Será que a manifestação do comentarista tenha tanta importância assim, para ser reproduzida quatro vezes, só por ele? Nada foi dito pelo comentarista Ricardo, e assim continio com minha visão de que o blog não se presta à discussão de algo importante, mas somente àquilo que lhe dá visibilidade, no rumo da editoria que lhe dá suporte. Discutam a Justiça, apontem caminhos, e, se for para criticar, que o façam com honestidade de propósitos, as quais consigo enxergar, mas de binóculos

    1. Olá! Caros Comentaristas! E, FRED! Olá Maurílio como vai…, agradeço por seu comentário. O texto de Pio Giovani Dresch versou sobre alguns temas e apontou algumas ideias. O título me animou. E escrevi o que pensei sobre. Manifesto meu apoio ao BLOG e aos comentaristas do BLOG. Igualmente, ao FRED – Frederico Vasconcelos. Já estou por aqui faz tempinho. Quanto ao tema abordado pelo Pio, é muito importante! De qualquer maneira 04 (quatro) postagens em tema tão GRAVE representa muito pouco. Como o momento é delicado, agradeço seu comentário. OPINIÃO!

  3. Olá! Caros Comentaristas! E, FRED! O momento é propício e de GRANDE OPORTUNIDADE para o encontro do surgimento de JOVENS LÍDERES que CONVIDADOS, repito, CONVIDADOS possam se assim desejar, serem incorporados ao cenário político do BRASIL. Há pelo que vi uma MENINADA de OURO, ideias pujantes, um patriotismo surgindo SEM o ranço negativo de antes. Patriotismo ecológico, numa compreensão mais ALTA, elevada de agregar valores positivos, valores perdidos pelos de outrora cooptados e vencidos em seus sonhos, em muitos culpa do cansaço e da velhice, por vezes, provoca o desencanto. Estes novos horizontes que se abrem, com pessoas de valor, jovens de valor é que precisa ser detectado e aproveitado em substituição gradual das velhas maneiras de fazer às coisas. Devem às autoridades olhar tal eclosão de cidadania presencial e virtual como um DIAMANTE a ser lapidado e NÃO, destruído pela TRUCULÊNCIA, mesmice, vaidades perdidas e IGNORÂNCIA. É pelo que torcemos e acreditamos. OPINIÃO! E, Fred. Obrigado pelo espaço cedido! Como sempre, forte abraço! OPINIÃO!

  4. Olá! Caros Comentaristas! E, FRED! Percebo pelo pânico e MEDO que assola os inertes do GOVERNO atual, um aceno ao chamamento das forças armadas brasileiras. Não caiam nessa esparrela. Os jovens que estão nas RUAS merecem suporte e apoio. Ameaças e Chantagens é coisa de COVARDES. As forças armadas do BRASIL não se prestam para esse papel. É importante compreender o momento e, os órgãos comuns de segurança pública que inteligentemente coíbam preventivamente e pontualmente os excessos. Forças Armadas são para GUERRA contra invasores da Nação Brasileira. No caso deve ser utilizado CONTRA a FIFA. Os brasileiros/as, NÓS, estamos ocupando o VAZIO por DESCASO deixado pelos pilantras políticos. Muito CUIDADO com essa MENINADA que busca se afirmar como CIDADÃOS ATIVOS no cenário nacional. Todo o cuidado e, carinho é muito pouco. As nossas autoridades estão mais preocupados com seus UMBIGOS e cegos para o que está acontecendo. Repito: ao invés de SOBERBA e tentar demonstrar um poder que NÃO possuem melhor escolher a HUMILDADE e aprender a funcionar num planeta virtualizado. A ideia do governo, de insuflar para dividir, tá fora de moda. Ameaças do Ministro dos Esportes é perigosa e pode deflagrar um movimento com viés onde TODOS PERDERÃO. E muitos, com a VIDA! A DEMOCRACIA é positiva, pois, permite que a gente coloque nossas OPINIÕES e SENTIMENTOS e isso é muito BOM! Continuo apoiando um movimento ORDEIRO E PACÍFICO, pois é LEGÍTIMO em seus pleitos. Muita calma nesta hora. Pela liberdade, democracia, liberdade de expressão e manifestação, pelo capitalismo inteligente. E VIVA O BRASIL, dos brasileiros/as. OPINIÃO!

  5. Olá! Caros Comentaristas! E, FRED! Objetivamente, os aumentos nos preços de passagem pesam algo ao redor de 14,5% até 27% de redução na remuneração de quem anda de transporte coletivo. Isso é muito. Chama-se conta psicológica. Foi uma irresponsabilidade de todos do EXECUTVO. Não esquecer que pela SOBERBA do executivo, do legislativo, afora os ESPANCAMENTOS, já aconteceram 02 (mortes). Eleições: Só resolveremos nas URNAS, quando o VOTO FOR FACULTATIVO. VOTA QUEM ACREDITAR em quem acreditar. Dizer que VOTO OBRIGATÓRIO gera representação é outra MENTIRA. Corrupção: Resolve-se com LEIS coercitivas e de aplicação efetiva e eficaz. O congresso Nacional só faz LEIS, perfumaria. VOLÁTEIS. Ou, com completa DUBIEDADE e possibilidade de “n” recursos intermináveis, até pela “n” e dúbia construção. Saúde: Um desastre falta remédio, falta atendimento, faltam leitos, nos casos graves o resultado é a MORTE! Educação: Remuneração dos professores/as RIDÍCULO. É quase um pagamento à MODA DA CASA GRANDE, sendo os professores/as a SENZALA. Materiais com erros grosseiros. Economia: Inflação em alta, juros JAMAIS baixaram, continua a exploração de sempre, queda do emprego. Poupança: Tomaram mais dinheiro do investidor, com o redutor, ENGANOSO aplicado. Com o advento da alienação fiduciária, alienaram o comprador que; virou adquirente e, posseiro em sua moradia. No caso ficha limpa, iludiram o eleitor/a, o CASSADO é o VOTO DO ELEITOR/A e, quando quiserem. A lei geral da Copa desrespeita o BRASIL. Desrespeita nossa legislação, desrespeita conquistas de há muito alcançadas. Neste ano, afora outros, entretanto, neste ano, por total irresponsabilidade de quem faz LEIS, o legislativo, e, total falta de sensibilidade aos humanos, nós, por parte da justiça, sofremos algo como o ocorrido no FASCISMO por inércia da JUSTIÇA. Queimar alguém, e ASSASSINAR como estão fazendo nas RUAS arrebentando famílias inteiras, exige uma ação do ESTADO pronta, imediata. Não sou favorável à redução da idade penal, entretanto, sou favorável a uma LEI que exija o cumprimento integral da pena em regime FECHADO que alcance o MENOR enquanto menor no regime próprio e continue seus efeitos na MAIOR idade, até seu completo CUMPRIMENTO. Isso arrefecerá os ânimos da BESTA FERA! O comportamento sociopático precisa de coercitiva repressão. Em sua maioria é completamente normal e se utiliza das benesses legais para se perpetuar no menor e prosseguir no maior. A burocracia: Impeditiva de construção nacional saudável. As soluções para esses e outros graves problemas e importantes precisam de um legislativo responsável. Coisa inexistente hoje. Custo diário para comer muito elevado. Repete-se o péssimo hábito de logo após dar um aumento salarial, na sequência, todos os preços relativos sobem, anulando o efeito. Tudo acima é uma perversidade comportamental governamental. Um vício, que gera um ciclo vicioso, insuperável. Escapam, apenas, os que na ilegalidade ou trabalho informal. Algo PERVERSO é a maneira como se tributa o POVO. O Imposto de Renda é completamente injusto. Suas alíquotas de desconto e a base de cálculo inviabiliza o investimento em poupança e reduz a base dos consumidores ativos. Precisa reformular. E com isso, chegamos na: reforma tributária, reforma política, reforma na logística em geral, reforma eleitoral e por aí vai. NADA REALIZADO, promessas, promessas e NADA CUMPRIDO. Posso estar enganado, entretanto, o que acontece é uma resposta ao completo ABANDONO do POVO pelo ESTADO. E a catarse mencionada no texto, acontece quando o cristal se quebra. E há um sentimento de profunda TRAIÇÃO, refletida na MENTIRA, IMPUNIDADE E CORRUPÇÃO que se demonstra INSUPERÁVEL. Pois, as INSTITUIÇÕES NÃO FUNCIONAM. A questão; vai mais fundo, ainda. E quando a catarse aflora, a resposta do ESTADO é transformar o sentimento de busca de DIÁLOGO em enfrentamento MILITAR ARMADO. Pergunto ao Pio Giovani Dresch, quem está trilhando o caminho conhecido de 31 de janeiro de 1933 até 28 de fevereiro de 1933 do evento 3º Reich e Reichstag? Não entendo que seja o POVO BRASILEIRO. Responsabilizo o Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores. Outra coisa o CIDADÃO precisa tocar sua vida, para isso elege. Como as Instituições estão em completa FALÊNCIA MORAL um dos jeitos é assumir autonomamente o PODER. Isso é LEGAL, é LEGÍTIMO. Por sinal, demonstra profundo senso de MORALIDADE! O que se vê nas ruas do BRASIL é um PATRIOTISMO, UNIÃO de objetivos, com FOCO e o que o ESTADO responde é uma patriotada, traição, mentiras e soberba indignidade para com a NAÇÃO brasileira. A SOBERBA e a falta de DIÁLOGO com o POVO e as chantagens e ameaças como do RIO, colocar o exército, demonstra que devem deixar o PODER. Perderam o BONDE! Repito, INFELIZMENTE! OPINIÃO!

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