Embargos auriculares no cardápio

Frederico Vasconcelos

No intervalo da sessão do Conselho Nacional de Justiça de terça-feira passada (19/2), os conselheiros foram convidados para almoçar na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, e conhecer a nova diretoria.

Alguns advogados, sem cerimônia, aproveitaram a ocasião para fazer “sustentação oral” antecipada a respeito de dois casos em andamento no CNJ: o do processo digital de Pernambuco e o do horário de abertura dos fóruns em São Paulo.

Comentários

  1. Associação de Juizes receber patrocínio para seus eventos não pode, mas as sua Exelências Conselheiros do CNJ, que julgam pleitos da OAB, ter almoço pago pela própria OAB pode.
    Dois pesos, duas medidas. Que repúblicazinha de quinta categoria…

  2. Pois é…. Ainda bem que a imprensa despertou… Imagina o que não descobrirão se investigarem um pouquinho mais o CNJ…. Digitando o nome dos conselheiros no Google já se veem coisas do arco da velha…..

  3. O CNJ quer ser o 5º Poder e sem controle!
    A questão é: FAÇA O QUE EU MANDO… MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO!
    Se fossem MAGISTRADOS… o Corregedor do CNJ já teria dado várias entrevistas ao 4º Poder, para várias emissoras de TV, declarando que medidas energicas seriam tomadas e que, inclusive, os beneficiários do almoço seriam sumariamente afastados das suas funções para o regular trâmite do procedimento administrativo.

  4. Fred, e o fato de o conselheiro do CNJ, no caso sobre horário de atendimento, ser desembargador do TJSP e, mesmo enquanto tal, processar e julgar caso do interesse do TJSP e realizar audiência de tentativa de conciliação (como se houvesse direito disponível em causa) na sala do presidente do TJSP, tudo isso não mereceu de sua parte nenhuma nota? Não há nisso nenhum problema? Aí vale?! Por sinal, estou certo que ambos – conselheiro do TJSP no CNJ e presidente do TJSP – devem ter conversado sobre flores, antes de iniciada a audiência, não é mesmo? Mas ai, tudo bem, não é mesmo? Isso para o blog não interessa…

  5. Dependendo do Conselheiro do CNJ o almoço ficou indigesto, ante os reais motivos
    da visita na sede da OAB.
    Porém se considerarmos que alguns conselheiros sao advogados de carteirinha, sentiram-se em casa.

  6. Ora, mas não foram os membros do CNJ que entenderam que as associações de juízes não podem receber patrocínio, para evitar possível influência, ainda que sub-reptícia, em julgamentos?
    Parece contraditório e anti-ético que, após manifestarem tal entendimento, conselheiros aceitem almoço gratuito de entidade que tem interesse direto em seus julgamentos. O cenário é ainda pior quando se observa, conforme a notícia, que sequer houve disfarce no propósito de influenciar o convencimento dos conselheiros: a influência foi direta e deslavada, a partir dos famigerados embargos auriculares.
    Será que vão se declarar suspeitos no julgamento dos temas em questão?
    Quem controla o CNJ?

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