Lava Jato, pedras e o fim do caminho
Do advogado e escritor José Paulo Cavalcanti Filho, em artigo publicado no “Diário de Pernambuco“, nesta sexta-feira (12), sob o título “Moro e Lula, o Encontro”:
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O juiz Sergio Moro (…) “sabe que a Lava Jato tem prazo para acabar. Conhece o precedente da Mani Polite (Mãos Limpas), na Itália. Em que, depois de 5 anos, ninguém mais queria saber da operação. E trabalha para que os processos estejam encerrados, todos, até o próximo ano.
Uma análise isenta mostra que tem se comportado bem. Até agora.
O ministro Carlos Ayres Brito pediu a gente sua, no Supremo, para conferir o percentual de suas decisões que foram mantidas – no TRF-4, no STJ e no Supremo. Deu 94% (jornais chegaram, mais tarde, a 96%). E constatou não haver um único juiz, no Brasil, com estatísticas de êxito sequer parecidas”.
Cavalcanti diz que o depoimento de Lula a Moro foi “civilizado”.
O ex-presidente, ainda segundo o escritor, “se diz, agora, vítima de um julgamento político, mesmo sendo só acusado por delitos de patrimônio”.
“E já se lançou candidato a Presidente. Nunca se viu isso. Faltando quase 2 anos. Algo sem sintonia com o tempo eleitoral. Como se não tivesse outra opção. O que faz lembrar mestre Jobim:
– É pau, é pedra, é o fim do caminho”.
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Do cientista político André Singer, em artigo publicado neste sábado (13), na Folha, sob o título “Cerco a Lula desequilibra o jogo”:
“O duelo de Curitiba, em si, acabou numa espécie de empate sem gols. O juiz teve a habilidade de apresentar uma faceta neutra, escondendo as próprias convicções sob a capa de perguntas objetivas. Lula, por sua vez, decidiu concentrar a agressividade no Ministério Público. Ambos devem ter entendido que o confronto aberto os prejudicaria perante a opinião pública.
Do ponto de vista do processo, contudo, o zero a zero era melhor para Lula, pois cabe à acusação o ônus da prova.
Segundo Singer, “o escândalo jurídico-midiático que cercou e cerca o longo diálogo paranaense pode ter feito a vantagem de Lula diminuir“.
“Delações não provam nada, mas criam, pela proximidade dos personagens, impressão muito negativa ao ex-mandatário.”
“Como o que está em jogo é o futuro da democracia brasileira, convém registrar que a história cobrará caro dos que resolverem cassar a candidatura popular, utilizando meios duvidosos e desiguais para fazê-lo”, conclui o articulista.