Ex-governador está com os bens bloqueados

Os que se opõem ao nome de Luiz Antônio Fleury Filho para o Ministério da Segurança Pública apontam outro fator desfavorável, além do massacre do Carandiru e das importações superfaturadas de equipamentos de Israel no governo Quércia, episódios mencionados neste blog.

Fleury responde a ação de improbidade administrativa e está com os bens bloqueados.

Segundo informa o Centro de Pesquisas e Documentação de História Contemporânea do Brasil, em abril de 1997 o então procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, entrou com ação civil pública, acusando Fleury de interceder junto ao Banespa para a concessão de empréstimos a uma fábrica de calçados em estado pré-falimentar, no início de 1994.

O negócio teria causado prejuízos de US$ 3,6 milhões ao erário estadual. O CPDOC|FGV registra que o ex-governador negou irregularidades na operação e declarou que o empréstimo tinha o objetivo de garantir o emprego de 480 funcionários.

“Os bens ainda estão bloqueados, mas isso não significa que nós tenhamos perdido a ação. Ganhamos em primeiro e segundo graus, e o Ministério Público recorreu”, diz Fleury.

O ex-governador lembra que não foi denunciado no caso das importações de Israel. A operação foi aprovada pelo então procurador-geral do Estado, Michel Temer.

“Não tenho nenhuma condenação por processo criminal, nem por enriquecimento ilícito ou dano ao erário”, diz.

Ainda segundo o CPDOC|FGV, Fleury desfiliou-se do PTB em 2011 e, “atendendo aos pedidos do vice-presidente da República, Michel Temer, regressou ao PMDB com o objetivo de reestruturar e reerguer o partido em São Paulo”.

“Desde então, nos pleitos de 2012 e 2014, atuou como colaborador nas campanhas de Gabriel Chalita e Paulo Skaf, respectivamente, para prefeito da capital e para governador do estado de São Paulo.”

Em tese, admite o ex-governador, a ação de improbidade administrativa e o bloqueio de bens são fatos que não impediriam sua nomeação.

Quem torce pela indicação de Fleury pode supor que, num governo com vários ministros alvo de processos, ainda haja espaço para mais um sob investigação.