Sartori não aceita o termo “investigação”

Para presidente do TJ-SP, há apenas inspeção do CNJ, uma “verificação de rotina”

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, afirma que a inspeção do Conselho Nacional de Justiça na Corte não pode ser chamada de “investigação”.

Reportagem de Flávio Ferreira, na edição da Folha desta quarta-feira (21/3), informa que, para Sartori, trata-se de uma apuração de rotina. Na véspera, o jornal revelou que a inspeção do CNJ feita no tribunal em dezembro tinha como foco 70 desembargadores, mas foi ampliada para os 354 integrantes da corte.

O presidente do TJ disse que o texto da Folha sobre a inspeção estava correto, mas que o uso do termo “investigar” na manchete do jornal provocou indignação nele e em outros desembargadores.

Segundo Sartori, o termo “investigação” tem que ser “riscado por enquanto”. “Você até pode usar esse termo nos casos das antecipações [suspeitas de pagamentos privilegiados] de cinco desembargadores, mas, em relação aos outros, o que existe é uma apuração […], uma verificação de rotina sobre exatidão de cálculo.”

Em reportagem no “O Estado de S. Paulo“, Fausto Macedo informa que, na avaliação de Sartori, o termo “investigação” implica suspeitas sobre ele e seus pares. “Investigar é indício, quer dizer que todos somos suspeitos? Vou ser investigado?”

“Não admito ser colocado como suspeito”, afirmou Sartori.

Sob o título “Retomadas as inspeções nos tribunais”, notícia divulgada nesta terça-feira (20/3) pelo CNJ informa que “as inspeções abrangem diversos tribunais, incluindo o de São Paulo, e fazem parte das atividades rotineiras da Corregedoria Nacional de Justiça”.

Ainda segundo a nota, “as inspeções nos tribunais são feitas por amostragem, inclusive porque a Corregedoria Nacional não dispõe de estrutura para investigar todos os magistrados”.

Comentários

  1. Tudo bem.
    Para contornar esse obstáculo intransponível passaremos a chamar a coruja de gavião e fica tudo resolvido.
    O contribuinte paulista, assim, aguarda os resultados.Ansiosamente.

  2. A ampliação da amostra das verificações das informações pelo CNJ revela que existem fortes indícios de irregularidades.
    Assinale-se que o termo investigar, segundo o Aurélio, tem como acepções “fazer diligências para achar” e “examinar com atenção”.
    Portanto, considerando os indícios apurados cabe a tarefa de investigá-los.
    Não se vislumbra nenhuma impropriedade na palavra, tampouco no seu uso.
    No entanto, o que surpreende é a repulsa à expressão, manifestada pelo Dr. Ivan Sartori, que deveria ser dirigida às condutas e fatos irregulares e quiçá ilegais dos magistrados.
    Acredito que muitos cidadãos compartilham da impressão de que o Poder Judiciário está com conceito muito ruim e cabe aos seus representantes mudá-lo para a higidez do Estado Democrático de Direito em nosso País.
    Podemos contar com a responsabilidade e o comprometimento deles com o interesse público?

  3. A investigações necessitam ser mais abrangentes e profundas. Digo isso pelas notícias do Tocantins onde 4 desembargadores de um total de 12 já estão respondendo processo no STJ por venda de sentença. Mas lá, pelo que se sabe, não escapa ninguém. As decisões são completamente viciadas; basta avaliar a quantidade de decisões esdrúxulas proferidas.

  4. Inacreditável!!! O Presidente do TJ-SP ameaça processar a Folha de SP pela divulgação da investigação promovida pelo CNJ. Em vez de ameaçar o jornal, o Sr. Ivan Sartori deveria é processar os seus colegas desembargadores responsáveis por pagamentos indevidos.

  5. É só a ponta do iceberg. O que mais impressiona é a desfaçatez da solução proposta, que enfatiza a compensação futura dos pagamentos irregularmente efetivados, ou seja, no fundo, trata-se de um generoso e vultoso empréstimo a alguns apaniguados em condições facilitadas. Já está passando da hora do Congresso por fim ao descalabro orçamentário do Poder Judiciário brasileiro ou a farra com o dinheiro público vai continuar.

  6. Talvez a leitura de artigo hoje publicado no Consultor Jurídico” (http://www.conjur.com.br/2012-mar-21/cnj-prepara-novas-inspecoes-tribunal-justica-sao-paulo) sirva para esclarecer alcance e objetivo da “investigação”. Digo duas coisas: (1) o diz-que-diz relativo aos cinco notórios pagamentos é causa de grande desconforto entre os desembargadores (para não dizer revolta). A ponto de (ao menos) um, após negar qualquer privilégio pessoal, pedir emissão de “certidão positiva com efeitos negativos”. E tornar público seu requerimento. Considero isso um rematado absurdo (não o pedido; cogito de formulá-lo, mas sua causa). (2) Ao contrário do que foi divulgado pela mídia, a Comissão de Orçamento não foi derrubada por vazamentos, mas em razão de divergências internas com a presidência. E, já faz quase uma semana, está resumida a um membro (deveriam ser três).

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