Locke teme atrelamento do MP-SP a governo

O procurador de Justiça Felipe Locke, preterido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que escolheu o procurador de Justiça Márcio Elias Rosa para chefiar o Ministério Público Estadual nos próximos dois anos, prevê que o órgão será “pouco independente e muito burocrático”.

“Estamos inconformados com essa decisão absolutamente injusta”, diz. Embora Locke tenha sido o mais votado na eleição interna, apresentando-se como candidato de oposição independente, Alckmin preferiu nomear Rosa, apoiado pelo  Procurador-Geral de Justiça Fernando Grella Vieira.

“Hoje, a sociedade não tem um Ministério Público independente. É o sentimento que eu tenho lido nas redes sociais e nas inúmeras mensagens que recebo”, diz Locke.

Ele não faz críticas pessoais ao escolhido. Mas diz que ficará atento à sua gestão. “Nós estamos liderando a oposição. A qualquer falha, iremos denunciar, da maneira legalmente possível”.

Segundo Locke, há um número muito grande de promotores indignados. “Eles estão atentos, vigilantes e preocupados. Ninguém deseja o retorno da imagem de atrelamento do Ministério Público ao governo. No passado, isso rendeu o apelido de ‘República dos Promotores’”.

Locke diz desconhecer os motivos que levaram Alckmin a preteri-lo. “Ele não me conhece pessoalmente, não sabe quais são as nossas opiniões. Nossos projetos foram julgados pela boca de terceiros”, diz.

“Soube pela imprensa que o governador entendeu que nós teríamos uma postura corporativa ou sindicalista. Nunca participei de nenhum sindicato ou de associação”, afirma.

“Nas duas gestões como conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, minha procupação sempre foi zelar pela probidade, tornar o Judiciário absolutamente republicano, combatendo os gastos excessivos, a falta de transparência, os maus julgamentos e os desvios em geral. Me parece que essas qualidades não foram suficientes para a escolha”, diz Locke.

Segundo ele, a gestão reprovada nas urnas foi pouco atuante nas questões sociais. “Nos parece que o Ministério Público não mudará, será pouco operante”.

Comentários

  1. Fred é um orgão politico ou técnico? A mim parece que o discurso do derrotado é partidario. Inconformado com a propria derrota a postura em principio é impedir o bom andamento da instituição criando problemas e fomentando divergencias. Levanta criticas e suspeitas a priori sem nenhuma fundamentação a não ser o “achismo”. Dá para acreditar que um órgão do Estado pode funcionar direito e alcançar os objetivos e metas para os quais foi criado com posturas e comportamentos dessa natureza? Como sempre a figura do Patrão não existe. O Povo paga os impostos mais caros do Mundo para receber em troca um péssimo serviço, e pior, ver bilhões serem desviados do erário sem que ninguém responda por isso. Precisamos sair da condição de Republiqueta Sul Americana de 5ª categoria para a condição de pais desenvolvido.

  2. Em MG é a mesma coisa. O MP é inoperante. O MPF idem. Essa é a raiz da impunidade no país. Os do “andar de cima” tem a CERTEZA da impunidade. Simples assim. Enquanto isso, vivemos como na época do brasil-colônia…

  3. Esquecem-se alguns que o PGJ e o PGR são os ÚNICOS legitimados para investigar e processar as maiores autoridades do país.

    Qdo o governador ou presidente escolhe, escolhe quem pode ou não lhe processar bem como aos seus nomeados do 1° escalão.

    A escolha, pois, vem imbuída da promessa de não processar.

  4. Olá! Caros Comentaristas! E, Fred! Com todo o respeito aos demais comentaristas vou discordar da posição do vencido. Entendo que a colocação de José Rios é perfeita. Ratificada por outros e por Marcos Alves Pintar. Suas ponderações são POSITIVAS e resolvem a celeuma. Entretanto, e mais como agravante, pertencer ou ter pertencido ao “cnj” não diz absolutamente NADA. Exceto que: O “cnj” produziu um documento completamente ILEGAL, IMORAL, INCONSTITUCIONAL, verdadeiro documento TOTALITÁRIO, ARBITRÁRIO e ILÓGICO, sem mencionar, NADA democrático, por sinal, muito DEMÔniocrático. O tal documento e a declaração produziram essa confusão no JUDICIÁRIO BRASILEIRO. Tudo muito e completamente ILEGAL. Longe de qualquer transparência. Pelo jeito venceu o mais ADEQUADO! Talvez, um com mentalidade, mais DEMOCRÁTICA. OPINIÃO!

  5. Creio que quem participa de um jogo, ou concorre em alguma eleição, deve saber ser um bom perdedor, notadamente quando todas as regras foram respeitadas. Mas isso é o que eu acho,

  6. Lamentável essa postura do derrotado. Aceitar a derrota com altivez é mais dignificante que se vangloriar da vitória. Está claro como o sol, na CF, que é prerrogativa irrenunciável do Governador do Estado, a escolha do PGJ em lista tríplice. Como o é, também, a escolha do Desembargador indicado para o 5º Constitucional. Como disse o José Rios: “tenta na próxima vai…”

    1. Queria ver sua postura caso o ex-Presidente Lula e a atual Presidente Dilma tivessem nomeado o 2º colocado da lista tríplice para PGR, e o mesmo ficasse conhecido por “engavetar” denúncias contra detentores de foro privilegiado.
      Pobre MP/SP, foi extinto e esqueceram de avisar ao grande público, vítima da hipocrisia, do reacionarismo e do preconceito desta choldra chamada opinião pública paulista

  7. alguem tem duvida disto?

    Faz maisd e 20 anos que o estado de sao paulo e a republica dos promotores.
    Inclusive parece que as secretarias de segurança e de justiça faz parte do mp, porque somente promotores entende desta areas

  8. Em razão das denuncias de que o MP não é um órgão isento, pelo menos em se tratando de investigar o chefe do Executivo, pergunto. Cade o CNMP? Qual tem sido o seu papel até então? Que faça um trabalho de moralização como tem sido feito pelo CNJ. Aponte o CNMP a falta de infraestrutura dos MPs, o comprometimento político da cúpula com os governadores etc, etc, etc

  9. é ingenuidade demais ou esta jogando para plateia…

    todo candidato em lista triplicie para PGJ sabe que a a prerrogativa final de nomeação é do governador,ponto final!!!

    tenta na proxima vai…

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